O jogo do namoro

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Quando comecei a entender que deveria me interessar por meninas, eu já estava adiantado na minha adolescência. Reparava os outros garotos da escola cochichando sobre esta e aquela meninas, mas nunca me ocorreu que talvez eu pudesse participar deste tal jogo de namoro. Talvez eu também pudesse brincar de pegar mulher, apesar de não ter muita confiança no meu próprio taco. Por um lado, me parece que há uma cobrança súbita sobre os adolescentes que atingem uma certa idade. Por outro lado, praticamente tudo que nos é ensinado sobre paquera, relacionamentos e namoro é um conjunto de interpretações equivocadas.

Os ensinamentos dos quais temos a tendência de aprender como devemos nos comportar não são ensinamentos reais. Na verdade, a maioria do que aprendemos vem a nós de forma indireta, ou seja, através de exemplos que não aparentam ser ensinamentos. Por exemplo, eu aprendi de filmes como chegar em meninas, apesar de que a grande maioria do que acontece em filmes jamais acontece na vida real. A mim coube descobrir, lenta e dolorosamente, que a realidade do mundo não corresponde à realidade dos filmes. Coube a mim me desvencilhar dos cipós da ignorância que haviam crescido em meus pés quando eu não estava olhando.

namorados

Prefiro um milhão de vezes aprender a amar com as letras de Raul Seixas que com o conto primordial que define o amor em nossa cultura: Romeu e Julieta. Este casal arquetípico define perfeitamente a forma como casais se relacionam hoje em dia. Os dois se apaixonam por um acaso do destino, sem nenhuma razão ou motivo por trás do tal amor. Aliás, o amor dos dois mais se parece com uma obsessão doentia. Depois que consumam sua paixão, sofrem terrivelmente por saberem que nunca poderão realmente serem felizes. Seu amor é impossível, mas eles decidem lutar contra tudo e contra todos para conservar sua obsessão doentia. Por fim, ambos morrem juntos, e esta é a dor que parece afligir os casais de hoje em dia. Claro que os principais afligidos são os adolescentes, pois são os membros mais susceptíveis de nossa sociedade, mas até mesmo marido e mulher sentem que vão morrer quando contemplam o divórcio.

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